Como a telemedicina tem auxiliado no tratamento de doenças entre países

6 de abr

Com a pandemia do novo coronavírus, uma série de mudanças na rotina das famílias e dos profissionais aconteceu.

Com a necessidade de ficar em casa e frequentar o mínimo possível qualquer ambiente de risco, mas ainda havendo o cuidado de evitar que pessoas abandonem tratamentos médicos e sejam assistidas clinicamente, a telemedicina foi liberada no Brasil, em caráter emergencial.

Isso ocorreu por meio da portaria 467/2020, de 20 de março de 2020, publicada pelo Ministério da Saúde, e a lei 13.989/2020 sancionada em 15 de abril de 2020.

E elas valem enquanto a pandemia se mantiver e visam garantir que a população tenha “atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico” com segurança e mais facilidade, pois podem ser por meio da telemedicina.

Diante disso, instituições e entidades preocupadas com a integridade física e mental das pessoas têm investido nesse serviço, como é o caso do Hospital Marcelino Champagnat, que implementou a telemedicina de forma gratuita para auxiliar pacientes na identificação dos primeiros sintomas de Covid-19.

Longe de ter efeitos somente nos casos de Covid, a telemedicina (quando praticada com responsabilidade e profissionais devidamente habilitados) tem diversas vantagens aos médicos e aos pacientes.

Muita gente não sabe, mas a maioria dos profissionais de saúde não trabalha sozinha. É muito comum que casos de pacientes sejam levados a grupos de pesquisa ou debatidos entre especialistas (tanto da mesma área quanto de áreas diferentes).

Isso permite um olhar mais abrangente e atento a todos os sinais e sintomas observados, sendo, muitas vezes, determinante para a vida e cura da pessoa acometida.

O que é telemedicina?

A telemedicina se refere ao atendimento médico de forma remota (por internet ou telefone), de modo que visa a facilitar a promoção da saúde, sobretudo em casos de difícil acesso às consultas médicas.

Cabe destacar que, antes do coronavírus, essa modalidade já tinha uma resolução (de 2002), em que era entendida como o exercício da medicina para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde. Ou seja, apesar de já existir no Brasil, a telemedicina era bem mais limitada.

Agora, em caráter excepcional e temporário, o Ministério da Saúde ampliou a possibilidade de atuação médica, sendo possível até emitir atestados, algumas receitas médicas, avaliar exames e dar diagnósticos, por exemplo.

No entanto, é preciso que o profissional de saúde tenha habilitação para exercer medicina, esteja devidamente registrado no Conselho Federal de Medicina e cumpra todos os protocolos exigidos para a teleconsulta, respeitando sempre a ética médica. Tudo isso é para garantir a integridade e saúde do paciente.

Como funciona?

A telemedicina funciona bem semelhante a uma consulta comum, só que usando as tecnologias para mediar, como os celulares ou computadores.

Dessa forma, é preciso agendar um atendimento  — que pode ocorrer por meio particular, por plano de saúde ou pelo SUS. Essas são chamadas de consultas síncronas, em que médico e paciente conversam diretamente, geralmente em uma chamada de vídeo em plataformas desenvolvidas para esse fim.

Há ainda as consultas ou atendimentos assíncronos, em que o paciente envia uma pergunta ao médico, e este responderá mais tarde.

É uma opção para casos de acompanhamento clínico, em que o objetivo é somente ter informações sobre o estado de saúde da pessoa ou haja alguma dúvida pontual.

De toda forma, é preciso que os profissionais de saúde tenham ciência das limitações da telemedicina e que informem isso aos pacientes. Pois, apesar das inúmeras vantagens, algumas condições necessitam de avaliação presencial ou da realização de procedimentos clínicos em consultório.

Como a telemedicina tem ajudado em casos de doenças raras entre países?

A telemedicina recebeu atenção durante a pandemia, mas o debate sobre ela não é recente. Sua implementação é estudada por entidades e profissionais em diversos países do mundo, sendo que muitos já permitem o uso mais amplo.

Um dos fatores para isso é que o atendimento remoto permite que pessoas com dificuldade de locomoção ou que vivem em locais sem unidades de saúde e de difícil acesso de profissionais tenham assistência médica de forma mais adequada.

Além disso, permite ainda que haja uma maior troca entre médicos e especialistas de todo o mundo, ampliando o conhecimento e as práticas de saúde de alta qualidade.

Um bom exemplo são as doenças raras ou comuns de uma determinada região. Nesses casos, pode haver centros de pesquisa ou hospitais especializados, mas que ficam localizados em outros países — e nem sempre a viagem é possível ao paciente.

Diante desse cenário, a telemedicina tem se mostrado uma opção fundamental para auxiliar no diagnóstico e tratamento.

A pessoa diagnosticada segue acompanhando com profissionais locais, tendo acesso às estruturas hospitalares e clínicas da região onde mora, mas conta ainda com as orientações, conhecimentos e protocolos adotados por especialistas de outros países, que discutem o quadro em conjunto.

Essa troca entre países (ou mesmo entre médicos de diferentes estados brasileiros) amplia os saberes, abre novas possibilidades de ação e fortalece a prática do cuidado, trazendo mais vantagens aos paciente e aos profissionais.