COVID-19 faz crescer busca por alternativas de combate à obesidade

25 de nov

Não é de hoje que os alertas sobre a obesidade circulam. Especialistas em saúde — como médicos, nutricionistas e educadores físicos — constantemente reforçam os riscos associados aos quilos em excesso.

Em geral, eles incluem maiores chances de problemas cardíacos, diabetes tipos 2, colesterol alto, hipertensão e até doenças como o câncer.

E isso ganhou mais espaço com a pandemia do novo coronavírus, logo que a obesidade caracteriza um dos grupos de risco.

Isso não significa que quem está nessa faixa de peso tem mais chances de ser infectado pelo vírus — mas, caso seja, há uma probabilidade maior do quadro envolver complicações. Em média, entre 70% e 80% das pessoas com obesidade e que são afetadas pela covid evoluem para quadros complicados.

Dessa forma, mais um alerta mundial acendeu em relação aos cuidados com alimentação balanceada e exercícios físicos.

Porém, também por conta da pandemia, manter essas rotinas saudáveis ficou um pouco mais difícil, pois a ansiedade e a impossibilidade de manter algumas rotinas atrapalhou muitas pessoas.

Mas, em meio a este cenário, há formas de mudar os hábitos e usar a nova rotina a favor da saúde.

Quais os riscos à saúde relacionados à obesidade?

Há algum tempo que as taxas de obesidade em todo o mundo preocupam especialistas. Entre 2003 e 2019, a porcentagem de pessoas consideradas obesas foi de 12,2% para 26,8%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O peso em excesso é fator de risco para a covid-19, de forma que, caso ocorra a infecção, as chances de agravamento da condição são maiores. E isso pode ser mensurado pelo IMC, que é o Índice de Massa Corpórea, segundo a Associação Brasileira Para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso):

– Entre 30kg/m2 e 35 kg/m2 (obesidade leve), há um risco até 1,4 vez mais alto em comparação com uma pessoa saudável;

– Entre 35kg/m2 e 40 kg/m2 (obesidade moderada), o risco sobre para 1,8 vez;

– Acima de 40kg/m2 (obesidade grave ou mórbida), os riscos chegam a 2,6 vezes.

Mas, além dos perigos associados à Covid, há uma série de outros já bem conhecidos por profissionais de saúde.

De acordo com a Abeso, a obesidade leva à incapacidade funcional, dificultando atividades simples do dia a dia e movimentação, e à redução da expectativa de vida, pois aumenta o risco de doenças graves e morte. Entre os quadros estão:

– Síndrome metabólica;

– Diabetes tipos 2;

– Doença cardiovascular;

– Doenças respiratórias (como apneia);

– Doenças do trato digestório (como pancreatite aguda);

– Neoplasias;

– Osteoporose;

– Entre outras.

Como cuidar do peso durante e depois da pandemia de coronavírus?

A pandemia do novo coronavírus afetou a rotina das pessoas. Trabalhar em casa e reduzir as saídas fez com que aquelas pequenas caminhadas e movimentação fossem afetadas. Por isso, quem já tinha o hábito de aproveitar a ida ao trabalho ou escola para caminhar teve que buscar outras medidas.

A alimentação também foi afetada — apesar de muita gente estar comendo mais em casa, a ansiedade costuma interferir no apetite, fazendo com que os lanches e deliveries sejam mais frequentes.

Porém, o cenário também possibilitou novas opções para repensar os hábitos de vida — e levá-los para depois da pandemia: dieta, exercícios e bem-estar.

Exercícios físicos

Quem já não tinha tempo de ir à academia, ou não gostava, conta com uma opção que se popularizou muito: os exercícios em casa. Com os centros esportivos fechados, muitos profissionais investiram em aulas e programas personalizados, alguns com atendimento exclusivo.

Há opções de dança, aeróbica, yoga, localizada e circuito, por exemplo. A vantagem é poder fazer na sala de casa, com segurança e ainda com assistência profissional direto da tela do computador ou celular.

Alimentação

A rotina agitada faz com que muitas pessoas não consigam manter uma alimentação adequada: lanches rápidos, pouco nutritivos e até sem horário fixo são comuns. Mas, com a necessidade de ficar mais em casa e até reorganizar os horários de alimentação para toda a família, é possível investir na dieta balanceada.

Cozinhar em casa faz com que a escolha do cardápio seja bem mais saudável, mais natural e livre de industrializados. Só o fato de trocar aqueles alimentos super processados por frutas e verduras já faz bastante diferença na saúde, refletindo também no peso.

Aliás, há profissionais em nutrição fazendo consultas on-line, de forma que essas mudanças alimentares sejam adequadas e não resultem em riscos à saúde.

Bem-estar

O estresse está relacionado a uma série de problemas, inclusive à obesidade. De acordo com a Abeso, ele pode refletir na alimentação, fazendo com que, muitas vezes, a ingestão de produtos ricos em açúcares e gorduras seja maior, como uma tentativa de descontar o mal-estar psicológico.

Por isso, reduzir o ritmo agitado da rotina, buscar formas de diminuir o estresse e adotar hábitos que tragam mais bem-estar é essencial para auxiliar na manutenção da qualidade de vida.

Aliás, quem está em processo de emagrecimento também precisa reforçar os cuidados na saúde mental, buscando apoio de toda a família.

Entre as opções que podem ser adotadas estão a realização de terapia (inclusive, há opção de atendimento on-line), auxílio e respeito da família, realização de atividades prazerosas, como ouvir música, dançar, ler, conversar, por exemplo.

Tem como prevenir a obesidade?

A obesidade é uma condição multifatorial, que em geral envolve aspectos genéticos, ambientais, psicológicos e hábitos de vida. Por isso, falar em prevenção é apostar em hábitos saudáveis, pois nem sempre dá para driblar os riscos (como no caso dos fatores genéticos).

E nunca é cedo para começar a ter uma vida saudável. Desde a infância, é essencial que as crianças tenham acesso a essas informações e sejam orientadas em relação aos cuidados de si. Assim, fica bem mais simples manter os hábitos na vida adulta.

As dicas e orientações incluem:

– Manter consultas médicas regulares;

– Adotar atividades físicas prazerosas;

– Reduzir o consumo de alimentos processados;

– Apostar na alimentação mais natural e caseira;

– Montar uma dieta com ajuda de nutricionistas;

– Reduzir o estresse e ansiedade;

– Cuidar do bem-estar em geral;

– Tratar corretamente outras doenças preexistentes.

Além disso, investir na informação é uma maneira adequada de reduzir riscos relacionados ao peso: não fazer ou incentivar dietas milagrosas, que são prejudiciais à saúde, e não estigmatizar pessoas com obesidade são medidas fundamentais.

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Nem sempre a rotina facilita os cuidados com a saúde, mas esses hábitos de vida podem levar ao aumento de peso. Este, está relacionado a uma série de riscos, sobretudo quando chega à faixa da obesidade.

Porém, pequenas mudanças podem trazer melhorias ao bem-estar físico e mental, levando a uma vida mais equilibrada.