Fases do desenvolvimento da linguagem nas crianças de 0 a 6 anos

9 de mar

Durante o crescimento e desenvolvimento das crianças, tudo é uma grande novidade, tanto para elas próprias quanto para a família, que geralmente aguarda ansiosamente pelas novas experiências dos pequenos. Entre as mais esperadas (e que costumam emocionar bastante) está a fala.

Mas, na verdade, o processo de aquisição de linguagem começa bem antes do que a primeira expressão verbal que a criança emite — que costuma ocorrer perto dos 2 anos.

Mas vale lembrar, ainda, que antes dos pequenos falarem, eles também se comunicam — e muito! A criança tem suas formas próprias de interagir com a família, demonstrar sentimentos e vontades, usando por exemplo a linguagem corporal e o choro.

Por isso, desde o nascimento ela está desenvolvendo habilidades e conhecendo o mundo, coisas que fazem parte do que, futuramente, vai ser a linguagem verbal.

E todas as etapas que antecedem a fala são essenciais. Por isso, os estímulos à criança são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem.

Quais são as fases do desenvolvimento da linguagem nas crianças de 0 a 6 anos? E como a família pode estimulá-las?

Não é incomum que muitas pessoas relacionem a linguagem apenas com a fala (ou seja, a linguagem verbal). Mas há uma série de outras formas de comunicação, como a linguagem corporal, que mesmo antes das primeiras palavras são muito usadas pelos pequenos.

Porém, depois que os sons já começam a fazer sentido, não significa que o desenvolvimento da linguagem acabou. Esse é o momento de os pais e mães manterem os estímulos e auxiliarem na continuidade do desenvolvimento dela, sempre com afeto e cuidado.

Vale lembrar também que cada criança tem um processo único, e que qualquer variação do ritmo de aprendizado deve ser avaliada por profissionais, mas o estímulo e participação da família é essencial para que toda essa fase seja aproveitada de maneira integral:

0 a 12 meses

Nos primeiros meses, a principal forma de comunicação é por meio do choro e da linguagem corporal. O bebê costuma emitir grunhidos ou repetições de sons aleatórios (como uma vogal “a” ou “e”), mas é como uma fase de experimentação e conhecimento do próprio corpo e suas possibilidades.

Aos poucos, por volta dos 3 meses, pequenos gritos podem ser bem comuns, e o bebê já usa vocalizações para interagir (à sua maneira) com as pessoas e o mundo ao seu redor.

Perto do sexto mês de vida, é comum que isso se aperfeiçoe, ficando mais ritmada e com entonação própria.

Depois disso, a criança começa a emitir sons mais elaborados, como vogais e também algumas consoantes.

Mais perto de completar o primeiro ano de vida, a criança consegue formar sílabas simples e que podem remeter a coisas significativas (por exemplo, falas “ma” e “pa” para se referir à mãe e ao pai ou “mimi” para dormir).

Além disso, é comum que ela repita com constância os sons que ouve no dia a dia. Aquelas palavras comuns do dia a dia, como não e tchau são assimiladas, já que são curtas e frequentemente usadas. Isso significa que se um adulto diz algo como “não coloque isso na boca”, a criança é capaz de entender (e até repetir um gesto de negação com as mãos para contribuir com o que foi falado).

Por isso, é importante que a família estimule os pequenos. Falar com frequência, dirigindo o olhar para eles, usar palavras mais simples e manter um ritmo mais lento de pronúncia também ajudam.

Usar músicas é outra forma de estimular e apresentar a eles os sons e as linguagens. Aos poucos, a família pode dizer o nome das coisas no dia a dia, para que a criança comece a se familiarizar com os sons e, futuramente, assimilá-los às coisas.

De 12 a 24 meses

Agora, a criança é capaz de emitir palavras simples, que muitas vezes já tem valor de frase completa (isso tem o nome de holófrases). Ou seja, ela pode apontar para a água e dizer alguma variante disso como “guá” ou mesmo “água”, que significa algo como “eu quero beber água”.

Também compreende coisas que ouve, como “hora de dormir”. Aos poucos, ela consegue articular palavras, como “mamãe brinquedo”, quando deseja algum brinquedo específico. E, complementando a fala, a linguagem corporal é muito presente. Por isso, os gestos (como apontar) costumam sempre estar junto dos sons.

Perto dos 2 anos de vida, ocorre uma ampliação do vocabulário, e as crianças desenvolvem uma capacidade linguística com domínio de cerca de 50 palavras, além de manterem diálogos simples.

Mas ainda é comum que haja a troca de alguns sons ou mesmo a ausência deles (em vez de falar bola, a criança diz “boa”).

Ler histórias, cantar músicas e oferecer brinquedos que tenham palavras escritas são boas opções para ampliar o conhecimento e aproximação dos pequenos às linguagens. Por isso, saber como escolher um livro para a criança é essencial, pois eles podem facilitar e muito essa importante etapa.

O diálogo em casa deve ser sempre constante, evitando falar de forma infantilizada. A família pode aproveitar momentos como o banho ou a alimentação para apresentar palavras de forma lúdica e natural.

De 2 a 4 anos

Aqui, a acumulação lexical (ou seja, o repertório de palavras) dos pequenos continua a todo vapor. Em média, elas já conhecem entre 200 e 400 palavras e já são capazes de articulá-las em pequenas narrativas. Expressam-se com fluidez e naturalidade, conseguindo mostrar o que querem e o que sentem.

Erros de concordância e pronúncia são normais. Nesse momento, vale sempre repetir corretamente a frase, para que ela comece a assimilar. Isso não significa fazer uma correção (dizendo que a frase ou pronúncia está errada, mas apenas retornar o que foi dito para que ela ouça. Por exemplo, ela pode dizer “ela trazi fuita”, e o adulto retorna a frase Nossa, ela trouxe fruta? Que legal).

Os adultos podem sempre apresentar sinônimos para as palavras que a criança já conhece, não para que ela aprenda todos, mas para que gradualmente se aproxime dessas novas palavras.

Nessa fase, a criança está cheia de energia, e as brincadeiras podem ser ótimas formas de aprender. Por isso, aproveite para apresentar brinquedos que trabalhem com palavras escritas, músicas e imagens.

De 4 anos a 6 anos

Agora, o vocabulário da criança é grande, entre 1500 e 3000 palavras. Suas narrativas são mais longas e complexas, sabendo descrever com mais precisão (usando adjetivos e verbos) uma coisa ou ação.

A curiosidade se manifesta verbalmente também, pois é nessa fase que as perguntas sobre como e por quê são mais frequentes. Os tempos verbais e as concordâncias sintáticas estão mais aperfeiçoadas.

As dicas de estímulos continuam valendo para essa fase também: conversar com calma, apresentar novas palavras, ler livros, ver filmes e jogos são boas opções. O diálogo é sempre oportuno para que os pequenos não tenham receio de falar e, ao mesmo tempo, consigam ouvir a apreender os sons e palavras novas.

Os jogos são boas opções para aumentar cada vez mais o campo lexical e brincar com outras crianças também é essencial, pois nas interações (sobretudo com outras crianças), o aspecto social ganha força e elas precisam aperfeiçoar cada vez mais a comunicação e argumentação.

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Por meio da linguagem, as pessoas expressam sentimentos e emoções, interagem com o mundo e interpretam-o. E a aquisição dela começa cedo, desde o nascimento, e vai se aperfeiçoando ao longo dos anos. A família e o meio em que a criança vive é, então, essencial para que esse processo seja o mais adequado possível.