Os impactos da pandemia no dia a dia da alimentação e dicas para uma alimentação saudável

11 de jan

A necessidade do isolamento social e as mudanças causadas pelo novo coronavírus trouxeram uma série de mudanças à rotina de pessoas de todas as idades, entre elas, a alimentação.

Antes da pandemia, a rotina muitas vezes exigia que as refeições fossem feitas fora de casa. Almoços e lanches nem sempre conseguiam ser realizados com calma e com a variedade nutricional que necessitam.

Mas as mudanças para cumprir protocolos de segurança e até criar uma nova rotina com o home office e as aulas remotas desencadearam alterações nos comportamentos alimentares — alguns positivos, outros nem tanto.

Pandemia e alimentação: quais os impactos?

A pandemia do coronavírus trouxe uma série de mudanças também na alimentação de muitas famílias. Quem começou a fazer home office precisou organizar os almoços e lanches — que geralmente eram feitos em restaurantes.

Isso significou uma série de cuidados, como montar uma boa lista de compras, comprar em quantidades necessárias para reduzir as idas ao mercado, avaliar a variedade nutricional das escolhas, organizar o tempo de preparo e, claro, diversificar nos pratos.

Para as famílias que têm crianças em casa o desafio foi ainda maior. Com aulas remotas, e sem poder sair de casa, os pequenos precisaram se adaptar para estudar, brincar, dormir e comer.

Não é novidade que a alimentação infantil é essencial para o bom desenvolvimento dos pequenos e deve ser mantida por toda a vida. Apesar disso, nem sempre é tarefa fácil incluir aqueles alimentos nutritivos e naturais.

Junto a isso, vem outro agravante: os impactos da pandemia causaram preocupação, medo e ansiedade em muitas pessoas — tanto em adultos quanto em crianças. E isso acaba refletindo na alimentação também.

Comer mais doces ou ficar beliscando ao longo do dia é comum para quem tem a fome ansiosa. Já quem perde o apetite em situações de estresse pode ter ainda mais dificuldade em manter uma rotina nutritiva saudável.

A boa notícia é que, de forma geral, a pandemia fez crescer a busca por alternativas que ajudam no combate da obesidade e outras doenças, bem como no sedentarismo, trazendo mais saúde e qualidade de vida.

O que mudou na alimentação?

De acordo com estudos coordenados pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), o resultado da pandemia afetou a alimentação brasileira em diversos pontos.

Em diversos estados, houve um aumento nas compras de frutas, hortaliças e feijão ou outras leguminosas, que passou de 40,2%, antes da pandemia, para 44,6%, durante ela. Isso é um sinal positivo, pois alimentos de verdade, com menos conservantes e feitos em casa são parte de uma refeição saudável.

Outro ponto positivo, segundo a pesquisa, é que, em geral, as pessoas não começaram a comer mais produtos ultraprocessados (aqueles ricos em açúcares, sódio, gorduras etc).

No entanto, em algumas regiões houve um aumento nos pedidos por delivery — ou seja, refeições prontas, incluindo lanches e fast foods — bem como na compra de produtos industrializados. Isso se explica pois, quem já mantinha esses hábitos, apenas aumentou o consumo — mas a elevação foi significativa.

Como ter uma alimentação saudável durante e depois da pandemia?

Uma alimentação saudável é feita por meio de várias escolhas conscientes sobre a nutrição. Por isso, adultos e crianças devem estabelecer uma boa relação com a comida, entendendo-a como parte essencial da vida.

Isso significa, então, que comer não tem função apenas nutricional, mas também social e afetiva. Entender isso faz com que seja muito mais fácil alimentar-se bem, com menos culpa e, consequentemente, de modo mais saudável.

Para isso, algumas dicas para adotar na pandemia (e depois dela) são:

Conhecer os alimentos

Conhecer os alimentos ajuda na escolha do que vai para a mesa. Muitos produtos são vendidos com promessas de serem saudáveis ou naturais, mas na verdade são ricos em açúcares, corantes e conservantes. Portanto, prestar atenção no rótulo alimentar e pesquisar antes de comprar pode ajudar.

Fazer uma lista de compras e preparar as refeições em casa

Cozinhar em casa é uma dica bastante conhecida por quem busca uma alimentação mais saudável e natural. Mas a tarefa nem sempre é simples, sobretudo quando o alimento é preparado para toda a família.

Então, é válido fazer uma lista antes de ir às compras — preferencialmente com um planejamento semanal ou mensal das refeições. Isso porque mesmo que as refeições compradas em restaurantes sejam parecidas com aquelas feitas em casa (por exemplo, arroz, feijão, salada e carne ou outra proteína), a melhor maneira de evitar temperos industrializados ou excesso de sal e gordura é fazendo em casa.

Para quem tem crianças na família, isso pode ser uma oportunidade de compartilhar experiências e transformar a refeição em um ato ainda mais afetivo. Basta incluir os pequenos na hora de cozinhar, ensinando os valores nutricionais e o que significa uma refeição saudável.

Entender o que é fome fisiológica e psicológica

Não importa a idade, o emocional afeta a fome e a vontade de comer. Algumas pessoas, quando ansiosas ou estressadas, perdem o apetite, o que dificulta a manutenção de uma alimentação nutritiva. Já outras, podem comer mais ou exagerar nos doces, alimentos industrializados e pouco nutritivos.

Por isso, é importante reforçar desde a infância o que é uma boa alimentação, mas entender também que ela está atrelada a diversos aspectos, entre eles o estado emocional.

Reconhecendo isso, fica bem mais fácil diferenciar fome de tédio ou ansiedade, fazendo com que as escolhas sejam conscientes — e, quando a criança ou adulto for comer um docinho, ele seja devidamente aproveitado, sem exageros e sem culpas.

Educar o paladar e ter uma rotina alimentar

Deve sempre haver preferências pela alimentação natural, caseira e livre de industrializados (os chamados “alimentos de verdade”). Por isso, nos primeiros anos de vida, é importante que a criança receba frutas, verduras e legumes, explorando esses sabores.

Assim, fica mais fácil manter essa rotina após alguns anos, desde que toda a família também se alimente de forma adequada.

Ter sempre frutas à disposição dos pequenos, colocar mais cores nos pratos, incrementar receitas com folhas e vegetais e apostar na versatilidade que os alimentos permitem é uma ótima dica para facilitar a nutrição de toda a família.

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A pandemia do novo coronavírus resultou em mudanças em diferentes esferas da vida. E a alimentação não ficou de fora. Apesar de ser um momento delicado, ele pode ser também uma oportunidade de adotar novos hábitos e cuidar mais de si e de toda a família.

Isso pode ser simples, como cozinhar em casa ou incluir uma porção de frutas na alimentação.