A importância de falar sobre saúde mental na escola

16 de nov

Hoje, os debates sobre saúde mental estão cada vez mais constantes e aprofundados. Isso, porque tem se observado que a saúde em geral está intimamente relacionada com o bem-estar mental.

Apesar de ainda haver uma ideia de que crianças não são afetadas por problemas psiquiátricos ou sofrimento emocional, cada vez mais essa noção tem sido desmistificada — aliás, tem se detectado uma parcela considerável das crianças pequenas que apresenta algum quadro ou alteração psicológica.

Em partes, isso é reflexo do estilo de vida atual — um mundo cada vez mais acelerado, dificuldade em dedicar tempo de qualidade aos pequenos, excesso de estresse e cobranças, alimentação desregulada e pouca atividade física têm culpa nisso.

Portanto, para cuidar melhor da saúde em geral dos pequenos, e preservar o bem-estar na infância e vida adulta, a escola tem se tornado um ambiente oportuno para também levantar debates e esclarecer dúvidas para as crianças e famílias.

O que é saúde mental na infância?

A saúde mental na infância precisa ser debatida com responsabilidade, de modo que seja dada a devida atenção ao tema, mas não se corra o risco de patologizar a infância. Isso significa compreender que essa fase é marcada por uma série de mudanças comuns do desenvolvimento humano, mas que ocorrem de forma marcada pela individualidade de cada criança.

Então, não há um modelo ou um protocolo para ser consultado. É necessário um acompanhamento contínuo de responsáveis e profissionais atentos ao tema.

Ter saúde mental (tanto para adultos quanto para crianças) é conseguir lidar de forma adequada com sentimentos e rotinas, mantendo as atividades em dia, respeitando limites e emoções, de forma que se compreenda que sentir tristeza, ansiedade, euforia e medo, por exemplo, é normal, desde que esses sentimentos e emoções não afetem a rotina.

Desse modo, a saúde mental na vida adulta ou infância não significa estar livre de transtornos psicológicos — há pessoas com problemas de depressão capazes de tratar e ter uma vida plenamente saudável, da mesma forma que alguém sem nenhuma alteração psicológica pode não conseguir ter saúde mental.

Por isso, é indispensável compreender a que se refere a saúde mental, e quais as formas de alcançá-la considerando as individualidades e condições de cada criança ou adolescente.

Qual a importância de falar sobre saúde mental na escola?

A escola tem um papel importante no debate sobre saúde mental na infância, pois é nela que as crianças passam boa parte do dia, estruturam relações afetivas e sociais, experimentam novas atividades e entram em contato com uma multiplicidade de referências culturais.

Assim, nesse ambiente, alguns aspectos ficam mais fáceis de serem observados. As mudanças ou dificuldades na hora de brincar com outras crianças, na participação de atividades em grupo, na interação social e no rendimento escolar podem dar indícios sobre o bem-estar mental.

Essas atividades nem sempre são realizadas em casa, de forma que fica mais difícil para a família acompanhar de perto alguma possível alteração.

Além disso, docentes e equipe pedagógica também podem orientar sobre aspectos que, grande parte das vezes, acabam ocorrendo em ambientes escolares ou longe dos olhos de outros adultos, como o bullying e o ciberbullying.

Outro ponto a ser destacado é que, com o crescente aumento de diagnósticos psiquiátricos em crianças e adolescentes, a escola se torna uma aliada na construção de uma ambiente acolhedor e harmônico.

Visando a desmistificar o tema da saúde mental, profissionais podem facilitar a compreensão do que ela de fato significa e quais os impactos de cuidar dela desde a infância.

Isso tem dois pontos positivos centrais: fazer com que os sentimentos, problemas e momentos dos alunos sejam respeitados e reconhecidos, bem como reduzir a desinformação acerca da saúde mental — evitando inclusive episódios de preconceito que podem agravar os quadros.

Como a escola pode falar e promover a saúde mental?

Primeiro, é importante que a equipe docente esteja alinhada com a importância da saúde mental na infância e adolescência. A partir disso, fica bem mais fácil reconhecer atitudes ou episódios que indicam alguma alteração — pode ser a agressividade, mas podem ser algo mais sutil, como o desânimo nas aulas.

Mas, além disso, há modos de aproximar alunos de atividades que centralizam a temática, como rodas de conversa, momentos de interação direcionados, debates sobre as formas de cuidar de si física e mentalmente, além da construção constante de um ambiente acolhedor.

E, cada vez mais, iniciativas têm mostrado que essa ação é simples e gera grandes resultados. Por exemplo, diante da pandemia do novo coronavírus, as crianças tiveram suas rotinas bastante afetadas, ficando longe da escola, colegas e tendo que lidar com diferentes sentimentos e emoções, como o medo, a ansiedade, o tédio.

Tanto para auxiliar durante o isolamento quanto para preparar as crianças para o retorno às aulas, o Colégio Marista Arquidiocesano, localizado em São Paulo (SP) apostou em encontros virtuais para aproximar a acolher os alunos.

Chamada de “Arqui de braços abertos”, a iniciativa visa a abordar o tema da saúde mental além das salas de aula ou espaço acadêmico. E isso de forma bem simples: por meio do diálogo e afeto, em que o aluno encontra um espaço convidativo para falar, expressar-se e compartilhar vivências que podem ser bem semelhantes às das outras crianças.

O momento permite que os sentimentos relacionados ao isolamento social sejam trabalhados em conjunto, reduzindo a distância afetiva e fortalecendo laços.

Essa prática da escuta e abertura à fala do aluno é essencial para as diversas situações rotineiras — como dificuldades escolares, medo, ansiedades, dificuldades de interação, entre outras.

Também é eficaz para levar informações sobre como cuidar de si (física, social, mental e afetivamente) e como respeitar os outros. Isso, pois falar permite uma resolução mais simples dos conflitos (seja entre alunos, seja consigo mesmo), além de ser possível identificar mais rapidamente a necessidade de conduzir ao auxílio especializado.

__

A saúde mental na infância é um tema cada vez mais debatido, pois cuidar dela desde a infância tem reflexos positivos por toda a vida.

Por isso, escolas podem ajudar a construir uma infância mais saudável em todos os aspectos.