Como as competências socioemocionais promovem saúde mental?

18 de nov

As competências socioemocionais compõem uma preocupação cada vez mais comum de famílias e escolas. De forma geral, elas podem ser compreendidas como um conjunto de domínios que uma pessoa tem em relação às suas emoções, de forma que se pode lidar com elas mais adequadamente.

Apesar de parecer simples, o assunto é bem amplo e complexo, afetando diretamente o modo com que cada um se relaciona consigo mesmo, com outras pessoas e com o que acontece ao seu redor.

Por isso, não há como falar em saúde mental sem considerar as competências socioemocionais — sobretudo na infância, época em que as crianças estão em plena formação física, social, afetiva, cognitiva e emocional.

Entendendo as competências socioemocionais e sua importância

As competências socioemocionais se referem àquelas habilidades individuais de lidar com as próprias emoções, de modo que isso afeta os modos de agir, estudar, trabalhar, relacionar-se consigo e com outras pessoas, aprender, desfiar-se, entre outras possibilidades.

Ou seja, desenvolvê-las ainda na infância faz toda a diferença para ter uma vida saudável e um desenvolvimento pleno. Para isso, a Base Nacional Comum Curricular, por exemplo, trabalha com 5 competências que se integram às mais diversas atividades da vida, evidenciando-as no processo de aprendizado escolar.

Assim, desenvolvê-las permite que as crianças e adolescentes consigam aplicá-las no dia a dia, seja nos estudos, relacionamentos afetivos, autodesenvolvimento e autoconhecimento.

Na BNCC, são elas a autoconsciência, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável.

Mas um ponto bastante importante é entender essas competências como eixos articulados, e não pontos isolados, de forma que afetam todas as esferas da vida das crianças e adolescentes.

Competências socioemocionais fazem parte de todas as atividades da vida

As competências socioemocionais são indispensáveis para o desenvolvimento escolar, profissional e social. E uma mesma habilidade tem impacto nas mais diversas esferas da vida.

Por exemplo, lidar com conteúdos novos pode ser desafiador para algumas crianças, de modo que elas podem se sentir desmotivadas devido à nova dificuldade. Mas entender que isso é parte do processo de aprendizado, identificando e respeitando os próprios sentimentos e emoções é uma competência socioemocional que reflete positivamente no aprendizado.

Da mesma forma, ao estar em um grupo de colegas, crianças ou adolescentes possivelmente vão se confrontar com opiniões e atitudes diversas. Desse modo, saber respeitar e estabelecer interações sociais adequadas (lidando com as próprias frustrações, medos e desejos) é essencial.

Isso tudo permite que elas consigam compreender melhor a si mesmas, lidem com seus sentimentos, respeitem suas limitações e saibam expressar emoções de forma respeitosa.

Assim, tudo é parte fundamental da boa saúde mental, pois permite que haja uma autorregulação de si (evitando estresses desnecessários), respeito ao próximo (promovendo boas relações sociais) e desenvolvimento pessoal.

Um exemplo que torna essa relação entre a saúde mental e o desenvolvimento de competências socioemocionais bem evidente é o cenário que a pandemia do novo coronavírus provocou.

Com a suspensão das aulas presenciais e a importância de ficar em isolamento, crianças e adolescentes foram afastadas de suas rotinas e convívio social, tendo que lidar com uma série de emoções em relação ao contexto, como medo e ansiedade. Seja para manter o isolamento, seja na hora de voltar às aulas, as competências socioemocionais são essenciais.

Pois, com isso, fica mais fácil controlar esses fatores, fazendo-as entender que esses sentimentos são normais, mas há formas de lidar com o momento sem que haja um sofrimento grande. Isso inclui também

Competências socioemocionais e a saúde mental: qual a relação?

As competências socioemocionais fazem parte de todas as atividade da vida, pois estão diretamente ligadas ao modo de ver a si, aos outros e a lidar com as experiências. Saber respeitar os próprios sentimentos, compreender os desafios da vida e lidar com as alternativas possíveis são algumas competências essenciais para auxiliar na boa saúde mental.

Isso fica mais claro quando se pensa que a dificuldade em entender os próprios limites e respeitá-los gera um sofrimento grande para muitas pessoas.

Dessa maneira, coisas comuns do dia a dia podem ser as razões para o sofrimento mental, como a frustração com alguma coisa que deu errada, a dificuldade em aceitar opiniões divergentes, a incapacidade de relacionar-se com outras pessoas ou a desregulação de sentimentos (sentir muita raiva por não conseguir o que queria, por exemplo).

Tudo isso, aos poucos, resulta em um mal-estar psicológico constante.

Por exemplo: uma criança que sente dificuldades em aprender alguma tarefa e tem sentimentos grandes de frustração, com o tempo, tende a criar bloqueios para aquela determinada atividade (e outras também) como forma de evitar o mal-estar mental.

Isso gera um apagamento do problema, que em vez de ser resolvido é apenas esquecido ou deixado de lado, podendo voltar a surgir mais tarde, quando outras atividades semelhantes serão apresentadas novamente.

Caso haja um bom trabalho em relação às competências socioemocionais, a criança pode desenvolver, aos poucos, a compreensão de que a dificuldade e frustração são normais, e há meios de lidar com isso. Em vez de desistir ou sentir-se extremamente frustrada, ela pode buscar ajuda e outras formas de aprender a realizar a demanda.

Nesse sentido, há uma série de competências e habilidades importantes para serem desenvolvidas nas crianças e jovens para que aprendam a lidar com as exigências escolares e profissionais.

E não é somente diante de fatos que parecem ser um problema, como a dificuldade de aprendizado, pois aprender que a vida é repleta de sentimentos diferentes é essencial para que eles sejam compreendidos como naturais.

Assim, ao sentir-se triste ou decepcionada, a criança tem mecanismos de lidar com eles de forma saudável — o que é importante até mesmo para reduzir riscos de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

___

As competências socioemocionais são ferramentas para que crianças, adolescentes e adultos lidem melhor com as próprias emoções, respeitando-as e trabalhando-as para estabelecer melhores relações consigo, com outras pessoas e com o ambiente.

Ter uma boa bagagem socioemocional permite que seja possível enfrentar os períodos da vida e suas mudanças de forma mais equilibrada, reduzindo os impactos na saúde mental.