Competências e habilidades do século XXI e a importância de desenvolvê-las nas crianças e jovens

29 de jun

Quais serão as características profissionais que farão a diferença no currículo nas próximas décadas? Quais são as competências e habilidades mais desejadas do século XXI?

Embora qualquer exercício de futurologia seja incerto, levando-se em consideração estudos e pesquisas realizadas por educadores, psicólogos, economistas e especialistas em diversas outras áreas é possível ter um vislumbre sobre quais os requisitos em que vale a pena investir o seu tempo.

Mais do que informação: conhecimento

As últimas décadas foram marcadas pelo acesso à informação como um diferencial. O crescimento e a popularização da internet proporcionaram a um número maior de pessoas a chamada “inclusão digital”. Porém, a partir do momento que a maioria têm acesso à informação, o acesso em si deixa de ser um diferencial.

Partindo dessa premissa, um grupo de fundações solicitou ao National Research Council, nos Estados Unidos, para que elaborasse um estudo indicando quais características profissionais as próximas décadas exigirão. A ideia é municiar os governos, as entidades públicas e os educadores com informações que possam ajudá-los a desenvolver competências desde cedo em crianças e adolescentes.

O resultado desse estudo está disponível no livro digital “Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século XXI”. Baseado nesse trabalho, separamos alguns insights para que você possa compreender melhor quais competências e habilidades devem ter prioridade no desenvolvimento educacional.

Transferência de conhecimento

A capacidade de aplicar o conhecimento ganhará predominância cada vez maior sobre a simples aquisição de conteúdo, em um processo chamado “transferência de conhecimento”. Em outras palavras, de nada adianta saber o que são determinados conceitos matemáticos, como logaritmos ou trigonometria, se não há contextualização que permita que eles sejam aplicados. Portanto, mais do que “conhecer”, o diferencial será “saber usar o que aprendeu”.

Ainda segundo o estudo, isso nos leva à necessidade de desenvolvimento de pelo menos três grandes domínios: os aspectos cognitivos e as relações intrapessoais e interpessoais. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma dessas características.

Aspectos cognitivos

Os aspectos cognitivos estão relacionados diretamente com a capacidade de aprendizado. “Aprender a aprender”, além de desenvolver um pensamento crítico e criativo sobre o conteúdo adquirido se torna fundamental para o desenvolvimento. Aqueles que conseguirem fazer conexões entre as mais diferentes áreas terão mais oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Aspectos intrapessoais

O segundo ponto a ser trabalhado diz respeito à maneira como lidamos com nossas emoções e comportamentos. É comum vermos pessoas que atendem perfeitamente ao primeiro requisito se sentindo “esgotadas” ou “desnorteadas” pelo simples fato de não saberem lidar com as demandas do dia a dia, seja na vida pessoal ou profissional. Desenvolver uma espécie de inteligência emocional se torna, portanto, um diferencial capaz de proporcionar equilíbrio em qualquer circunstância.

Aspectos interpessoais

Por fim, o terceiro aspecto que deve ser trabalhado é o das relações interpessoais. A transformação do conhecimento se dá por meio da expressão das ideias e dos relacionamentos. Portanto, saber como se expressar com clareza, de forma que suas ideias sejam compreendidas por um maior número de pessoas, e ter empatia para compreender como as pessoas reagem nos mais diferentes contextos se tornam aspectos-chave para o sucesso.

Interseção entre as áreas: o segredo para o sucesso

Quando falamos de aspectos cognitivos, intrapessoais e interpessoais, isso não significa trabalhá-los de forma individualizada. A integração entre as múltiplas competências e habilidades é que tornará os profissionais do futuro destaque em suas respectivas áreas.

Isso inclui capacidade de comunicação e argumentação, competência para resolver problemas, habilidades de cooperação, influência social, responsabilidade, empatia, cidadania, valorização da diversidade e flexibilidade de adaptação.

Em síntese, há múltiplas competências que podem ser desenvolvidas a partir desses três principais pilares. Cabe aos pais e educadores encontrarem as melhores formas de estimular e desenvolver nas crianças formas de explorar a criatividade e transformar o conhecimento.