Conheça a contribuição da PUCPR nos estudos sobre a Covid-19

8 de jul

As universidades têm um papel fundamental na construção do conhecimento, desenvolvendo estudos e avançando na produção científica, que reflete nos usos da ciência na sociedade. Essa é uma das bases do ensino superior: proporcionar ações que retornem à população, por meio da produção acadêmica e científica, bem como projetos de extensão e ações comunitárias.

Isso não foi diferente durante a pandemia. Aliás, pesquisas relacionadas à saúde (tanto na biologia quanto à saúde coletiva) tiveram ainda mais força, logo que o tema ganhou centralidade social.

Esse é o caso das desenvolvidas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, instituição que faz parte do Grupo Marista. Elas contribuem com o conhecimento mundial relacionado ao Sars-CoV-2, buscam meios acessíveis para a população se prevenir e proteger, além de somar forças às entidades internacionais de saúde sobre os protocolos sobre a Covid-19.

A junção de pesquisadores dedicados, estrutura física e um histórico de qualidade científica, a PUCPR tem mantido uma alta taxa de publicações, nacionais e internacionais, em reconhecidas revistas científicas e, assim, mostra sua organização educacional de excelência.

Conheça alguns projetos desenvolvidos na instituição e que têm colaborado com os avanços no conhecimento, prevenção e tratamento da Covid-19:

Perfil genético dos pacientes

Para auxiliar na compreensão de como a Covid-19 se espalha e acomete as pessoas, pesquisadores da Escola de Medicina da PUCPR têm investigado o perfil genético de quem foi infectado.

O que já é bem conhecido é que algumas comorbidades (como obesidade e diabetes) são fatores de risco aos casos graves da doença, mas agora também se tem um panorama genético bem mais detalhado e específico nesses quadros. Isso pode ajudar médicos e pesquisadores a buscarem tratamentos e meios de prevenção com base nas informações coletadas.

A pesquisa Lung Neutrophilic Recruitment and IL-8/IL-17A Tissue Expression in COVID-19, que contou também com a contribuição de pesquisadores da UFPR e Faculdades Pequeno Príncipe, foram publicados na revista científica Frontiers in Immunology, apontou que os pacientes apresentam baixa quantidade de uma proteína específica relacionada ao processo inflamatório e que auxilia no combate ao vírus, a interleucina 17 (IL-17).

Eficiência das máscaras

A pesquisa Cloth Masks May Prevent Transmission of Covid-19: An Evidence-Based, Risk-Based Approach aponta a eficácia das máscaras de pano na contenção da disseminação do novo coronavírus.

O professor do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Roberto Pecoits Filho, participou das análises junto a nove outros pesquisadores internacionais.

Os resultados trazem importantes dados sobre o uso de uma das medidas de proteção mais comuns entre a população: as máscaras de pano. Também foram indicadas as porcentagens de proteção dela em relação a outros modelos, como a máscara cirúrgica.

Associada a outras medidas de prevenção, como o distanciamento social, esse tipo de máscara é uma medida acessível e eficiente para reduzir a circulação viral.

Os dados obtidos foram:

  • Máscaras de pano com 1 camada podem reduzir entre 43% e 94% dos microrganismos lançados no ambiente;
  • Máscaras de pano com 2 camadas podem reduzir entre 99%3% e 99,9%;
  • Máscaras cirúrgicas podem reduzir entre 98% e 99%.

Assim, pesquisadores epidemiologistas de diversas instituições, inclusive a PUCPR, concluíram que a máscara de tecido com duas a quatro camadas é capaz de fazer uma filtragem segura das partículas, protegendo quem as usa.

Relação do estresse oxidativo em paciente com Covid-19

Diversos estudos estão sendo feitos, desde o início da pandemia, avaliando a relação entre a gravidade do quadro de Covid-19 e a formação de radicais livres e o estresse oxidativo. A PUCPR desenvolveu uma análise com 77 pacientes infectados com o novo coronavírus e avaliaram o perfil inflamatório e indicadores de estresse oxidativo deles.

Os resultados apontaram que aqueles com casos graves tinham uma contagem mais elevada de leucócitos séricos e de níveis de PCR. A pesquisa foi publicada na revista científica Free Radical Biology & Medicine, contribuindo para compreender como o vírus afeta o organismo, e por que algumas pessoas apresentam casos mais graves da doença.

Fibrose pulmonar em pacientes com Covid-19

Pesquisadores vinculados à Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) descobriram uma tendência à formação de fibrose pulmonar entre aqueles pacientes que morreram em decorrência da Covid-19.

De forma geral, a fibrose é um enrijecimento dos tecidos, fazendo com que haja um comprometimento da troca gasosa e da qualidade respiratória do paciente, podendo chegar a níveis irreversíveis.

Os dados obtidos colaboram com o manejo dos quadros, pois se sabe que uma intervenção com medicamentos capazes de inibir proteínas específicas relacionadas à fibrose pode ser determinante na melhoria dos casos.

Covid-19 é uma doença vascular

Inicialmente, a Covid-19 foi considerada apenas uma doença pulmonar, logo que, mais evidentemente, acomete o sistema respiratório. No entanto, outras pesquisas ajudaram a ampliar o conhecimento sobre o mecanismo da ação do vírus no organismo, indicando que ela é, na verdade, uma condição vascular. Isso significa que a infecção pode afetar também a camada interna dos vasos, gerando uma lesão endotelial.

Pesquisadores vinculados à PUCPR participam da condução de análises sobre essa nova classificação, que traz importantes resultados.

Foi observado que pacientes costumam apresentar a lesão endotelial relacionada com a infecção pelo novo coronavírus, o que pode resultar na morte por trombose. Por isso, um dos estudos tem foco nos vasos sanguíneos e analisa a disfunção endotelial e a relação com a trombose.

Os resultados indicaram que o vírus acomete os vasos, e os pesquisadores conseguiram compreender parte de como isso ocorre, o que é essencial para prevenir e tratar corretamente os quadros.

Outro estudo chamado Degranulação de mastócitos em septo alveolar e SARS-CoV-2: uma via patogênica que liga o edema intersticial à imuno trombose, buscou entender o papel de mastócitos (células ligadas às reações alérgicas) aponta que pacientes com Covid-19 apresentam maiores taxas de mastócitos em comparação com pessoas com outras infecções respiratórias.

As análises indicam que essas células podem ter um importante papel no andamento do quadro da doença, o que oportuniza desenvolver melhores e mais eficientes tratamentos.

Respirador emergencial de baixo custo

Em meio às diversas notícias sobre os casos de Covid-19, a falta de respiradores e o custo destes para a saúde ganhou especial destaque – eles chegam à média de R$ 69,6 mil cada. Diante dessa necessidade, Robson Muniz, estudante de engenharia Civil na PUCPR, criou um aparelho que pode auxiliar a salvar vidas durante a pandemia.

Com um custo significativamente mais baixo (cerca de 2,5 mil), o respirador criado por ele é feito com uma bolsa de ressuscitação manual (chamada de “bolsa de ambu”). O projeto foi validado no centro de simulação da PUCPR, sob a supervisão da direção geral do Hospital Universitário Cajuru (HUC).

Tratamento da Covid-19 com células-tronco

A associação de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) e do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) resultou no desenvolvimento de estudos sobre o uso de células-tronco (do cordão umbilical) no tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda grave decorrente da Covid-19.

Essas células apresentam potencial imunomodulador, efeitos antimicrobianos e ainda têm capacidade de reparar tecidos, o que pode contribuir com os avanços no protocolo de tratamento da infecção.