Uso de smartphones: como e quando impor limites?

24 de ago

As tecnologias estão presentes em diversas esferas da vida, e com as crianças não é diferente. Se, antes, o primeiro contato com um celular ou computador era demorado — ocorria lá pela adolescência ou só vida adulta — hoje é bem comum ver crianças pequenas manipulando os aparelhos digitais.

E mesmo quando os pais e mães restringem o primeiro contato em casa, não é incomum que elas tenham colegas quem já usam celulares ou vejam os próprios adultos usando — o que desperta o interesse também.

Mas nem tão vilãs, nem tão inofensivas. Cada vez mais tem se percebido que todas essas tecnologias podem ser aliadas da rotina, inclusive para fins educativos, desde que o uso seja consciente e supervisionado.

Por isso, dar limites e proporcionar um uso responsável pode ser uma boa alternativa para que celulares, videogames e tablets tragam benefícios e divertimento saudável às crianças.

Qual o limite entre o uso consciente e o vício?

Nem sempre pais e mães conseguem definir qual o tempo ideal para a criança usar aparelhos eletrônicos, e nem com qual idade começar.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indica que antes dos 2 anos, o recomendado é que o primeiro contato não seja feito — isso inclui celulares, tablets e até televisão. Entre os 2 e os 6 anos, 1 horinha por dia é o ideal.

Muitas crianças gostam de videogames ou joguinhos digitais, de modo que acabam extrapolando essa média indicada com facilidade.

Porém, nem sempre isso significa um vício — é preciso investir no diálogo para estabelecer limites e combinados, e a partir disso é possível identificar se o interesse pelos aparelhos digitais está envolvido com algum problema.

O diagnóstico só pode ser feito por profissionais de psicologia infantil, mas alguns sinais indicam que é importante buscar ajuda. Vale prestar atenção se a criança:

Passa várias horas diante das telas, não faz pausas e muitas vezes perde a noção do tempo (não come, não vai ao banheiro);
Não demonstra interesse por outras atividades, como brincar com colegas ou sair passear;
Mostra-se bastante irritada quando não está conectada ou quando a família proíbe o uso;
Muda de humor rapidamente quando se conecta ou quando para de usar os aparelhos digitais.

Vale lembrar que as tecnologias podem trazer benefícios, desde que usadas adequadamente.

Por exemplo, podem auxiliar no aprendizado, na coordenação motora e no desenvolvimento cognitivo. Além disso, muitas escolas estão incorporando o uso da internet ou aparelhos digitais às aulas.

Isso faz com que proibir o uso nem sempre seja o melhor caminho, pois o equilíbrio, visando à saúde física e mental dos pequenos, é o foco.

Como e quando impor limites?

Estabelecer limites para as crianças no que se refere ao uso das tecnologias deve ser feito antes mesmo do primeiro contato. Dessa forma, elas já criam uma relação mais saudável e equilibrada com os aparelhos, reduzindo os riscos de vícios no futuro.

É importante que tanto os pais e mães quanto as crianças tenham clara a noção de que impor limites não é uma proibição ou punição, e sim um acordo saudável entre ambas as partes.

Portanto, como todo acordo, o diálogo e a compreensão devem ser levados em conta. Para isso:

Dialogue de forma clara: apenas proibir o uso vai tornar a situação ainda pior. Explique o porquê é importante reduzir o uso dos aparelhos digitais;

Proponha um acordo: a ideia não é abolir as tecnologias, mas moderá-las. Por isso, vale ouvir a criança também. Se for preciso estabeleça um calendário de acordo com as preferências dela (segunda é dia de videogame, terça de televisão e assim sucessivamente);

Faça um acordo claro: estabeleça um limite de horas de uso ou quais as situações permitidas, por exemplo, crianças menores só terão acesso aos aparelhos digitais entre às 10h e 11h, ou o celular fica liberado, mas na hora da alimentação ele deve ficar desligado;

Sempre supervisione: deixe claro os limites de uso, isso inclui quais sites podem ser acessados e quais os objetivos do uso.

Além disso, precisa haver equilíbrio. Por isso, não adianta restringir o uso do celular e não ocupar aquele tempo com outras atividades, pois isso irá gerar mais frustração, tédio e irritação na criança.

Então, é parte do papel da família mostrar outras possibilidades de entretenimento e participar delas ativamente. Passear, brincar na rua ou no quintal, inventar brincadeiras, ler, desenhar são algumas das possibilidades.

Como apps podem ajudar a diminuir o tempo no celular?

É possível encontrar de tudo na internet, e é isso que a torna tão interessante e cada vez mais integrada à rotina das pessoas. Um bom exemplo dessa versatilidade é que dá para controlar o uso das tecnologias por meio delas mesmas.

Há diversos aplicativos que ajudam a monitorar o tempo investido na internet. Para mães e pais, isso pode ser um grande aliado.

As versões mais recentes celulares Apple e Android já vêm com recursos integrados que são capazes de medir o tempo gasto em cada aplicativo, não precisando baixar nenhum outro.

Mas para quem ainda não dispõe do serviço ou quer outras opções mais atrativas para as crianças, algumas são:

Family Link

O aplicativo está disponível para Andoid e iOS e ajuda responsáveis a controlar o tempo que as crianças usam os celulares. Há uma série de configurações que possibilitam restringir sites, outros aplicativos e até impedir realização de compras. Ele ainda dá sugestões de conteúdos educativos adequados para a faixa etária das crianças.

Forest: mantenha o foco

É um aplicativo bastante interessante para estimular as crianças a fazerem outras atividades longe das telas. Quando o celular não é usado, um pezinho de árvore começa a nascer, mas ela só cresce e se desenvolve se as metas de tempo forem cumpridas.

Study Bunny

Ainda que a proposta inicial seja manter o foco nos estudos, o aplicativo pode ser usado para controlar o tempo nos aparelhos digitais de forma geral — e de forma bem atrativa para as crianças. Com ajustes simples, basta definir a meta diária e cumpri-las para que o coelho vá evoluindo.

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As tecnologias não precisam ser um problema na vida das famílias — aliás, podem ser bastante benéficas — basta que haja um uso consciente e saudável. E isso é responsabilidade tanto de pais e mães quanto das crianças.

O diálogo é um ótimo caminho para chegar a um limite claro, de forma que as pequenas tenham um desenvolvimento adequado e uma relação saudável com as tecnologias.