Figuras de linguagem: Confira o guia completo!

As figuras de linguagem estão aí, aos montes, atravessando as falas cotidianas sem que a maioria das pessoas perceba. Por isso, este guia vai te apresentar e esclarecer tudo!

A língua é uma ferramenta muito rica, e apesar de ter diversas regras de uso, pode ser amplamente explorada para transmitir mensagens que consigam expressar mais fielmente as intenções de quem fala.

Recursos linguísticos que deixam a informação mais intensa, mais leve ou sutil, mais irônica ou dão noções de comparação são amplamente utilizadas cotidianamente – e elas têm nomes: são as figuras de linguagem.

Além de fazerem parte da comunicação cotidiana, elas são muito cobradas em concursos e vestibulares. Por isso, saber mais sobre essa categoria é essencial tanto para os alunos irem bem nos processos seletivos quanto para se expressarem melhor.

O que são figuras de linguagem?

Figuras de linguagem ajudam a dar mais expressividade ao que falamos ou queremos exprimir. Apesar de nem todo mundo saber exatamente o que são – ou quais são, já que existem diversas! -, elas estão presentes na comunicação cotidiana, e usamos um caminhão delas (eis aqui um belo exemplo!).

Aliás, mesmo sem que a maioria das pessoas note, elas estão presentes em discursos acadêmicos ou escolares, redações, diálogos com amigos ou mesmo aquelas conversas de elevador.

Podemos, então, entender uma figura de linguagem como recursos linguísticos capazes de dar mais ênfase à comunicação, mais intensidade ou amenidade, dependendo do sentido pretendido.

Conhecer mais sobre elas e quais os tipos ajuda a identificá-las e fazer um melhor emprego dessa ferramenta linguística.

Quais são as figuras de linguagem?

Existem diversas figuras de linguagem – pesquisadores da área as dividem em geral em quatro grupos – mas é possível achar classificações que assumem apenas três categorias.

De toda forma, abaixo, as divisão mais usual está listada abaixo:

  • Figuras de linguagem de pensamento;
  • Figuras de linguagem de palavras ou semânticas;
  • Figuras de linguagem de palavras de construção ou sintáticas;
  • Figuras de linguagem de som.

Tipos e exemplos de figuras de linguagem de pensamento

Entre as figuras de pensamento estão aquelas que apresentam ideias ou suscitam pensamentos novos.

De forma geral, elas apresentam sentido conotativo (ou seja, figurado, não literal) e simbólico. Entre elas, estão:

Antítese

Neste caso, há uma oposição entre os dois termos empregados, aproximando as ideias de palavras opostas. Por exemplo: “É possível amar e odiar uma mesma pessoa.”

Paradoxo

Diferente da antítese, o paradoxo faz um jogo de ideias contrárias sem que, para isso, recorra necessariamente às palavras opostas. Ou seja, pode ser mais sutil essa oposição. Por exemplo: “Todo começo é um fim.”

Ironia

Comum nos diálogos cotidianos, a ironia às vezes é sutil, às vezes não – mas é sempre conotativa – ou seja, nunca literal.

Por exemplo, se alguém pergunta se um caderno que está todo em braco é novo, a resposta pode ser “Não, apaguei tudo que estava escrito para utilizar novamente“. Claramente, é uma resposta irônica. 

Personificação ou prosopopeia

Usada para atribuir sentimentos, qualidades ou mesmo ações a seres humanos ou seres irracionais. É bastante usual no dia a dia – e faz muito sucesso em músicas ou poemas, como:  “A noite me enganou”; ou “A lua me traiu”.

Eufemismo

Nem sempre o que se quer dizer é simples ou gentil, por isso, amenizar ou suavizar o tom é uma boa tática. Nesse caso, o eufemismo é um recurso interessante.

Ele serve para abrandar ou mesmo mascarar alguma informação, como: em vez de dizer que alguém está com uma mancha enorme na roupa, pode-se dizer “O que você acha se trocássemos de roupa? Tenho uma ótima para você“.

Gradação

A gradação ocorre quando há uma sequência de termos, em ordem crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax). Ocorre, respectivamente em: “Vim, vi e venci” e no trecho de Monteiro Lobato “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.”.

Hipérbole

Às vezes, a intenção é exagerar a informação. Intencionalmente, deseja-se aumentá-la muito, muito mesmo – caso chamado de hipérbole. Por exemplo: “Já repeti um milhão de vezes e você não me ouve!”

Tipos e exemplos de figuras de linguagem de palavras ou semânticas

Nesta categoria, estão agrupadas as figuras de linguagem relacionadas ao significado que os termos têm e às alterações de sentido manifestadas. As principais subcategorias são:

Metáfora

É usada para estabelecer uma comparação entre palavras ou termos de significados diferentes. Por exemplo: “A vida voa“.

Comparação

Semelhante à metáfora, a comparação é um recurso usado para comparar elementos, termos ou palavras. Mas, neste caso, ela ocorre de forma explícita – ou seja, são usados elementos linguísticos que evidenciam essa intenção, como: “Seus olhos são como favos de mel.”

Metonímia

Neste recurso, há uma transposição de significados, sucumbindo ou subtraindo termos do todo. Um exemplo bem comum é dizer que algum fazendeiro tem 100 cabeças de gado  – o que significa que ele tem 100 gados, ou 100 animais, não somente a cabeça.

Catacrese

Ocorre quando o termo empregado perdeu seu sentido original, já ganhando outros usos e entendimentos. Por exemplo: dar mesada aos filhos (mesada, aqui, é um valor mensal para as crianças).

Sinestesia

Há, neste caso, uma associação de dois ou mais de alguns dos 5 sentidos humanos – visão, audição, paladar, tato, olfato – por meio da linguagem. Por exemplo: “O brilho da lua parece frio e sombrio.” – aqui, se mobiliza a visão (brilho) e o tato (frio).

Antonomásia

Na antonomásia, há uma substituição de termos, de modo que não ocorre prejuízo no entendimento. É bem comum o uso para fazer referência a alguns pontos turísticos consolidados, como Rio de Janeiro =  cidade maravilhosa.

Tipos e exemplos de figuras de linguagem de construção ou sintáticas

Figuras de construção, também chamadas de Figuras sintáticas, estão relacionadas com a estrutura das frases, relacionando-se à sintaxe, à construção e ordenação dos elementos na construção.

Veja algumas das mais comuns:

Elipse

Neste caso, há omissão de termos não apresentados anteriormente, mas sem prejudicar o sentido do discurso. Por exemplo: “Latiram e brincaram ao nos ver” – mesmo sem mencionar que se trata de cães, fica claro qual o sujeito da oração.

Zeugma

Também há uma omissão de termos, mas, neste caso, o objetivo é evitar repetições no discurso, dando mais fluidez a ele. Por exemplo: Eu acordo cedo todos os dias; ela, às 11 horas.

Pleonasmo 

É uma redundância ou repetição de termos, que pode ou não ser intencional – no primeiro caso, chama-se pleonasmo poético ou literário. Mas, no dia a dia ou na linguagem formal, deve ser evitada. Por exemplo, “Subir para cima”; “entrar para dentro”.

Anáfora

Muito empregada em linguagem poética ou literária, é caracterizada pela repetição de termos em início de frase, pois dá ênfase e dramaticidade à ideia. Por exemplo: “Se eu andasse, e se eu parasse, e se eu sentasse ali, e se eu falasse com ela….”

Tipos e exemplos de figuras de linguagem de som

Nesta categoria de Figuras de som, como o nome sugere, estão categorizadas as expressões relacionadas com os sons dos termos. Aqui, a sonoridade realça, destaca, enfatiza ou produz algum efeito de sentido pretendido. As principais são:

Aliteração

É uma repetição intencional de consoantes, especialmente dos fonemas situados no início ou interior das palavras, dando ritmo ou harmonia ao discurso. Como em: “O sabiá não sabia que sabia assobiar”.

Assonância

Marcada pelo uso de sons idênticos ou, ao menos, semelhantes, as sílabas tônicas dão ritmo e fazem rimas em músicas e versos. Como em: “Flávia, pálida, soltou uma lágrima.”

Onomatopeia

Bastante conhecida, a onomatopeia é a reprodução de sons e ruídos de animais ou objetos ou mesmo fenômenos da natureza, como o tic-tac do relógio, o au au do cachorro ou um creeeeck, de algo quebrando.

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Conhecer mais sobre as figuras de linguagens ajuda a dar mais fluidez à comunicação cotidiana, facilitando na expressão de sentimentos e desejos. Há diversos tipos delas, que fazem parte do nosso dia a dia, sem que, muitas vezes, sequer nos demos conta.

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