Gagueira na infância é normal? Saiba tudo sobre!

É comum que na faixa dos 3 e 4 anos crianças apresentam dificuldades na fala. Por isso, a família precisa conhecer a saber lidar com a gagueira infantil

Pais e mães geralmente ficam ansiosos para que os filhos comecem a falar, e as primeiras palavras, mesmo que sem muita clareza, são momentos de grande emoção. Dali em diante, os pequenos vão aperfeiçoando cada vez mais a fala, aprendendo novas palavras e melhorando a pronúncia delas.

É claro que esse processo é longo e gradual – aliás, ele também não é linear. É bem comum que crianças apresentem um determinado ritmo de desenvolvimento da dicção no começo, mas por algum tempo começam a ter pausas maiores ou dificuldade de pronúncia – isso pode ocorrer por diversos motivos, como a própria ansiedade em se expressarem.

Porém, a família deve ficar atenta, pois apesar de ser normal crianças na faixa de 3 e 4 anos terem alterações no ritmo, velocidade e fluxo da fala, outras vezes isso pode ser um sinal de gagueira infantil.

O que é a gagueira infantil e como identificá-la?

A gagueira é definida como um distúrbio do neurodesenvolvimento, que tem início na infância e afeta o modo normal de falar. Em geral, a pessoa pode apresentar repetições ou prolongamentos de sílabas, palavras ou determinados sons.

O quadro na grande maioria das vezes se inicia na infância, por volta dos 3 anos, de modo que dificilmente os distúrbios ou dificuldades na fala começam a ocorrer na adolescência ou vida adulta.

Apesar de cerca de 5% das crianças em todo o mundo apresentarem gagueira, até 80% delas têm remissão espontânea por volta dos 6 anos – o que significa que não requerem grandes intervenções.

Ainda assim, é sempre importante uma avaliação profissional, pois há alguns riscos para a cronificação da gagueira, ou seja, para que ela persista na vida adulta, que são:

  • Ter algum caso de gagueira na família;
  • Ter uma taxa elevada de dificuldades no discurso;
  • Idade da criança mais avançada (quando mais tardiamente a gagueira surge, maiores são os riscos de ela se cronificar);
  • Tempo de persistência dos quadros prolongados (quando determinada dificuldade na fala demora muitos meses para melhorar, considera-se um fator de risco).

O que causa gagueira na infância?

Apesar de não haver um consenso sobre as causas da gagueira infantil, em geral, acredita-se que ela seja causada por fatores de ordem neurobiológica, num contexto multifatorial.

Ou seja, deve haver uma predisposição e, junto a isso, fatores desencadeantes do ambiente – o que reforça que o nervosismo ou o medo não provocam a dificuldade na fala, mas caso haja alguma predisposição, essas situações podem contribuir para o surgimento da gagueira.

Quais impactos podem gerar na vida das crianças?

Como tudo que ocorre na infância, as dificuldades ou distúrbios de fala têm um grande impacto no desenvolvimento infantil.

Por ser um momento em que os pequenos ainda estão construindo suas relações com o mundo, moldando seus comportamentos e compreendendo como lidar com seus sentimentos, situações em que elas gaguejam podem causar grande constrangimento, medo ou mesmo frustração.

É comum que as crianças passem a evitar situações sociais ou mesmo a ida à escola – local em que a comunicação é bastante requerida em todos os momentos. Mais imediatamente, a gagueira (seja ela transitória ou crônica) causa desconforto e dificuldades de a criança socializar, expressar-se e estabelecer laços afetivos.

Conforme as situações se repetem, a frustração pode gerar baixa autoestima, isolamento e até desencadear outros distúrbios psicológicos, podendo inclusive se prolongar até a vida adulta.

Como os pais devem lidar com a gagueira infantil?

Quando se trata de gagueira infantil, a família tem um papel fundamental para auxiliar os pequenos e minimizar os impactos dela. É essencial que toda a família esteja ciente do como lidar com a criança, por exemplo:

Ter empatia e transformar as situações em momentos acolhedores

Muitas crianças se sentem envergonhadas ou mesmo irritadas de gaguejar, construindo relações cada vez mais complexas com a fala. Por isso, acolhê-las e demonstrar compreensão é essencial para que elas não intensifiquem esses sentimentos negativos.

Não tentar corrigir ou completar a fala da criança

É importante não usar frases como “fale com calma”, “respire”, pois a criança não está gaguejando por nervosismo. Usar esse tipo de orientação pode fazer com que o receio de não conseguir falar fique ainda mais intenso, piorando a situação.

Outro fator é não completar as frases ou palavras, pois pode agravar o sentimento de ansiedade.

Conversar com frequência e respeito

Os diálogos não devem ter o objetivo de treinar a fala da criança, mas sim de estreitar laços, saber sobre o que ela quer falar e, como consequência, estimulá-la a falar.

É importante olhar nos olhos dos pequenos, de modo que a conversa seja horizontal, e respeitar o ritmo deles. Além disso, manter gestos afirmativos, que indicam que ela está sendo ouvida e compreendida ajudam a minimizar os desvios da fala devido à ansiedade.

Quando é recomendável buscar por tratamento?

A grande parte dos casos de gagueira infantil melhoram espontaneamente após alguns meses do surgimento dos primeiros sinais, em média, até um ano após. Porém, ainda assim há casos que podem cronificar e, então, persistir durante toda a vida.

Como não há exatamente como saber se os episódios de fala dificultosa são comuns no desenvolvimento da criança ou são casos crônicos, o acompanhamento com fonoaudiólogos é essencial.

Quando os sintomas e sinais da gagueira infantil persistem por dois ou três meses, é indicado realizar uma avaliação profissional, que indicará a necessidade de um tratamento ou apenas acompanhamento. Mas, se for constatada a existência de fatores de predisposição, o tratamento precoce é fundamental, e quanto antes for iniciado, maiores são os resultados.

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A gagueira infantil é consideravelmente comum e costuma afetar crianças na faixa dos três ou quatro anos de idade. Apesar de a grande maioria dos casos melhorarem espontaneamente, ainda é possível que o distúrbio se cronifique. Por isso, a atenção dos pais, o afeto e o acompanhamento profissional são essenciais para detectar precocemente a situação.

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