O Grupo Marista realizou nesta terça-feira (14), em Curitiba, a segunda edição do ESG em Movimento. O evento teve como objetivo debater práticas sustentáveis de mercado, abrindo espaço para diferentes instituições compartilharem suas experiências.
O encontro reuniu especialistas na Hotmilk, o ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Mais de 70 pessoas acompanharam presencialmente as apresentações de Fernanda Paraná, consultora e fundadora da Gaia – Negócios de Impacto, Helena Schweinberger, gerente de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da Neodent, e Luis Meyer, diretor de ESG do Grupo Boticário.
Além disso, o evento consolidou a perspectiva de que sustentabilidade é um conceito coletivo. Na jornada ESG, a colaboração supera a concorrência. Aprender e evoluir juntos é o caminho mais sólido para gerar valor compartilhado e transformação social.
Espiritualidade: a esperança como compromisso e ação
O encontro iniciou com o tradicional momento de espiritualidade. O Ir. Rafael Ferreira conduziu a abertura trazendo um momento de reflexão pautado na esperança, tema central do Jubileu 2025. Na ocasião, o marco temporal da Igreja Católica teve como lema “Peregrinos da Esperança”.

Longe de ser uma postura passiva de espera, a espiritualidade no contexto contemporâneo atua como alicerce emocional e ético diante das incertezas e crises globais. “A esperança nasce em Deus, sustenta-nos nas dificuldades e nos ajuda a olhar para o futuro com confiança”, destacou Ir. Rafael.
Sua reflexão também deixou um questionamento para ser feito por cada um. “A grande pergunta para hoje é: onde tenho colocado minha esperança e onde posso ser esperança para os outros?”. Essa abordagem encontra eco no conceito de ESG. Afinal, as boas decisões corporativas começam na intenção genuína de transformar realidades e cuidar das pessoas.
Governança, um pilar da transformação
A bióloga e consultora Fernanda Paraná deu início ao ESG em Movimento apresentando um panorama sobre a urgência existente em nosso planeta. “Estamos em um cenário de extremos. Na questão ambiental, extrapolamos sete dos nossos nove limites planetários. No Brasil, 10% dos mais ricos detêm 40% da renda, gerando disparidades imensas. Temos um prejuízo anual de cerca de R$ 200 bilhões em razão da corrupção”, alerta.
Segundo a especialista, o ESG surge como uma alternativa ao atual modo de produção, consumo e convivência. “Acreditamos que olhar para questões sociais, ambientais e de governança pode e deve trazer um futuro melhor, com resultados que vão além dos financeiros”, diz.

Sua apresentação teve como principal foco tratar sobre estruturas de governança em ESG. Atualmente, 82% das organizações incluem a sustentabilidade na agenda de seus órgãos de governança, um índice relevante.
Dentre as empresas pesquisadas, a prática mais comum é a estrutura centralizada, que costuma ser criada no lançamento de metas ESG, em processos de certificação ou em abertura de capital. Esses modelos contam frequentemente com a participação ativa do Conselho de Administração ou Consultivo, e a formação de uma Diretoria ou Gerência de Sustentabilidade, com equipes dedicadas de 4 a 15 pessoas.
Fernanda destacou, ainda, alguns pontos fundamentais dessa jornada. O primeiro passo é contar com pessoas dedicadas ao tema e garantir o envolvimento direto da alta liderança na tomada de decisão. Quando o ESG se torna parte da estratégia e é inserido nos processos por meio de compromissos e metas claras, a sustentabilidade passa a ser cultural e parte intrínseca da organização.
Impacto comunitário
Helena Schweinberger, por sua vez, trouxe o case da Neodent. A marca paranaense, que tem 33 anos de atuação, transformou o ESG em pilar de negócio. A estratégia é dividida em quatro compromissos macro: avançar na saúde bucal, desenvolver pessoas, fomentar cadeias sustentáveis e manter o crescimento responsável.
Dois grandes projetos ilustram esse direcionamento:
- Expedição Novos Sorrisos: completando 10 anos, o programa tem alcance nacional com uma unidade móvel equipada para atendimentos de saúde bucal. A iniciativa chegou a impactar no último ano pessoas de todo o país, inclusive comunidades indígenas e ribeirinhas na Amazônia por meio de rotas fluviais.
- Projeto Futuro Sorriso: focado no entorno fabril na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), com ações voltadas à Educação, Cultura e Esporte, Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo Feminino.

Como resultado, o projeto já alcançou mais de 300 participantes em ações esportivas, culturais e educativas; mais de 155 participantes em capacitação profissional, com taxa de 30% de contratação; e mais de 30 mulheres em iniciativas de empreendedorismo feminino. “A sustentabilidade precisa ir além dos negócios, precisa efetivamente transformar vidas”, conclui Helena.
Sustentabilidade conectada ao propósito
Em seguida, Luis Meyer compartilhou a complexidade de gerenciar a agenda sustentável do Grupo Boticário, que conta com um portfólio composto por mais de 4 mil itens. De acordo com o especialista, a jornada ESG exige estratégia robusta e clareza de princípios. “O propósito do Grupo é gerar oportunidades para a beleza transformar a vida de cada um e, assim, transformar o mundo ao redor”, diz.
Meyer explicou a estrutura de governança da instituição e trouxe alguns cases de destaque:
- Programas de Avaliação e Desenvolvimento de Parceiros: envolvimento dos stakeholders, com letramento e análise de performance sustentável. 119 fornecedores estratégicos envolvidos na ação.
- Movimento Viva Água: iniciativa voltada à segurança hídrica, que já beneficiou mais de 15 milhões de pessoas com a proteção de mananciais.
- Programa de Logística Reversa: gestão de resíduos que envolve 17 cooperativas parceiras e mais de 700 catadores.
- Comunidade Beleza Livre: ação com foco em Diversidade & Inclusão, usando a escuta no codesenvolvimento de produtos realmente inclusivos e que abrangem a diversidade.

Por fim, Meyer também destacou o papel da cultura na execução de uma estratégia sustentável. “O ESG está presente quando falamos da forma que queremos crescer, inovar e impactar a sociedade. É impossível tratar sobre ESG sem tratar sobre cultura”.
Debate construtivo
Ao final das apresentações, Rafael Riva Finatti, especialista ESG do Grupo Marista, mediou um debate entre os especialistas, respondendo a perguntas dos participantes.
Ao abordar os desafios constantes enfrentados por quem lidera a agenda socioambiental nas organizações, Fernanda Paraná destacou que a perseverança é indispensável na rotina: “Trabalhar com ESG é uma escolha diária. A principal competência é a resiliência, porque sempre estaremos nos deparando com desafios”.
Já Helena Schweinberger, compartilhou o lado humano da atuação comunitária e o sentimento de realização com os resultados sociais: “Quando tenho possibilidade de impactar a vida das pessoas em minhas ações, só posso me sentir privilegiada por trabalhar com ESG”.
Luis Meyer, por fim, destacou a necessidade de uma postura de constante diálogo com as áreas de negócio: “É um trabalho que precisa o tempo inteiro convencer que os processos podem evoluir para melhor. E isso não é fácil”.

Vamos seguir essa conversa?
A segunda edição do ESG em Movimento colocou em pauta a importância de um ecossistema mais sustentável e ético. E que para isso, a troca contínua de experiências entre as organizações é parte dessa construção.
Esse movimento não acaba por aqui e convidamos você a conhecer o Portal ESG, página do Grupo Marista dedicada a conteúdos exclusivos sobre gestão, impacto socioambiental e governança.
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