Saiba como tratar os distúrbios alimentares na infância e adolescência

Apesar de pouco abordado, os distúrbios alimentares acometem adolescentes e também crianças. Por isso, pais precisam estar atentos aos sinais para buscar ajuda

A infância e a adolescência são fases cheias de momentos significativos e muitos vão ser lembrados por toda a vida. As experiências vividas e as relações construídas ali são, em geral, a base para o comportamento adulto – o que não significa que é impossível mudar, mas que tudo o que foi vivenciado fará, em algum nível, parte do sujeito.

Nesse conjunto do ser, entram as relações que se tecem consigo mesmo, com outras pessoas, com os estudos, com as brincadeiras e com a alimentação. Esta última, um caso que, para boa parte das famílias, costuma ser um motivo de preocupação em algum momento da infância.

É bem comum que algumas crianças tenham resistência a comer certos alimentos, não queiram diversificar os pratos ou não gostem de incluir itens mais saudáveis. Em certo ponto e por algum tempo, isso pode ser apenas uma fase do desenvolvimento alimentar dos pequenos.

Porém, é também na infância e adolescência que muitos distúrbios alimentares têm início – estes sim são relações disfuncionais com a comida, precisam de atenção e tratamento e devem ser levadas a sério pelos pais e pelos médicos.

O que são distúrbios alimentares na infância ou adolescência?

Distúrbios alimentares na infância ou adolescência são, em geral, os mesmos que acometem os adultos – ou seja, são relações não saudáveis com a comida ou com o ato de comer.

Envolvem situações de comer excessivo (compulsão alimentar) ou comer extremamente pouco (anorexia) ou, ainda, usar métodos compensatórios para compensar a ingestão alimentar (bulimia). Além disso, o ato de comer é acompanhado de sentimentos e emoções transtornadas, como culpa, vergonha e uma distorção de imagem, chamada de disforia (como a criança ver-se gorda ou feia).

Assim como ocorre em adultos, os distúrbios alimentares são mais comuns nas adolescentes do sexo feminino – mas alguns estudos recentes sugerem que, entre as crianças na faixa de 6 a 12 anos, os números de meninos e meninas podem ser similares.

Distúrbios alimentares em crianças e adolescentes na pandemia de Covid-19

Um dado interessante é que a pandemia de Covid-19 fez as taxas de internamento por distúrbio alimentares aumentarem no fim de 2021 entre crianças e adolescentes.

Em geral, os especialistas observaram a incidência de um agravamento dos quadros de ansiedade e depressão, causados pelo isolamento social – isso piorou também os de quem já sofria com algum distúrbio alimentar e favoreceu o desencadeamento em quem não os tinha ainda.

Quais são os sinais e comportamentos dos distúrbios alimentares em crianças e adolescentes?

Cada distúrbio alimentar pode apresentar sinais e comportamentos bem característicos, mas alguns costumam ser comuns a todos aos quadros, como:

  • Sentimentos negativos em relação à comida ou ao ato de comer: pode ser ansiedade, repulsa, medo, evitação ou sensação de descontrole;
  • Mudanças no comportamento na hora de comer: a criança ou adolescentes passa a preferir comer sozinha (seja porque não irá comer ou porque irá comer demais);
  • Fixação no assunto sobre alimentação e/ou exercícios físicos: o assunto começa a fazer parte de uma grande parte do dia;
  • Comportamentos repetitivos em relação à alimentação: ir ao banheiro após comer (no caso da bulimia), comer no quarto (para esconder a comida em vez de comer, no caso da anorexia) ou comprar ou comer comida escondida (no caso da compulsão alimentar), por exemplo.

Além disso, no caso da anorexia infantil, a criança começa a apresentar perda de peso e, se ainda estiver em fase de crescimento, pode haver prejuízo ao seu desenvolvimento; na bulimia, pode haver danos aos dentes e garganta (como manchas dentais ou machucados na mucosa); já na compulsão, caso ela seja periódica, o ganho de peso ou as variações periódicas dele podem ocorrer.

Como identificar um quadro de distúrbio alimentar?

Nem sempre é fácil identificar que alguém está sofrendo com um distúrbio alimentar – mesmo que essa pessoa seja muito próxima, como um filho ou uma sobrinha. Isso porque a situação é muito complexa e envolve sentimentos de culpa e medo, fazendo com que o paciente geralmente esconda seus comportamentos.

Assim, é comum que algumas famílias demorem meses e até anos para descobrir distúrbios de bulimia ou compulsão, já que nem sempre o paciente emagrece drasticamente, por exemplo.

Mesmo a anorexia infantil pode ser mais dificilmente diagnosticada, logo que nem sempre a criança apresenta uma aparência extremamente magra ou outros sinais evidentes do distúrbio.

O ideal, então, é sempre ter um diálogo aberto, uma boa relação familiar e manter um ambiente saudável em casa, na escola e, dentro do possível, na sociedade.

Os pais devem observar o comportamento geral da criança ou adolescente, acompanhando essas fases que são ao mesmo tempo tão simbólicas e tão conflituosas – seja pela pressão social, pelas próprias incertezas comuns à idade, pela predisposição ao distúrbio.

Além disso, observar mudanças drásticas na alimentação, início de dietas ou exercícios exagerados, preocupação excessiva com peso ou forma física, preocupação com aparência, mudança no comportamento alimentar (como comer sozinho ou passar a contar calorias) são alguns sinais de alerta.

Junto a um profissional, com uma avaliação médica e, se necessário, exames clínicos, o quadro é devidamente diagnosticado.

Quando é hora de buscar ajuda?

Toda a infância e adolescência devem ser acompanhadas por especialistas em saúde – isso inclui, então, a física e a mental. Junto ao pediatra, à escola e aos médicos, será possível buscar orientações sobre o que é um comportamento adequado ou não para aquela faixa etária.

Mas, de toda forma, é sempre importante reforçar que a alimentação é muito mais do que um simples ato de comer ou nutrir o corpo. Ela envolve aspectos sociais, afetivos, químicos e físicos também, e todos eles começam a se estabelecer desde a infância.

Manter contextos saudáveis em casa, não fazer críticas ao corpo (seja da criança ou de outras pessoas), não relacionar o ato de comer como uma coisa ruim (comer ou não comer como castigo, repetir o prato ou comer pouco como algo ruim) são algumas formas de reduzir os risco de as crianças e adolescentes desenvolverem distúrbios alimentares.

Mas caso qualquer tipo de comportamento seja notado ou haja uma mudança significativa nele, é indispensável buscar orientação médica. Com uma equipe de especialistas – geralmente de modo multidisciplinar – a abordagem correta é feita e o quadro é mais facilmente diagnosticado e devidamente tratado.

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Os distúrbios alimentares podem surgir ainda na infância, ainda muito cedo, por volta dos 6 anos. E caso não sejam devidamente diagnosticados e tratados, permanecem na adolescência, sendo agravados. Por isso, é essencial que a família fique atenta aos sinais e busque orientação com profissionais capacitados.

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