A tecnologia, em especial a Inteligência Artificial, já faz parte de diferentes dimensões da sociedade: da educação à saúde, da comunicação aos processos de gestão. Diante de tantas possibilidades, como garantir que a inovação tecnológica esteja verdadeiramente a serviço das pessoas?
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Essa reflexão está presente na encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em maio de 2026. O documento é dedicado à salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial e aborda os impactos das novas tecnologias sobre a dignidade humana, o trabalho, a educação, a liberdade e o bem comum.
A encíclica chama a atenção para a dimensão ambígua da tecnologia. Os mesmos recursos capazes de ampliar possibilidades também podem gerar impactos negativos quando não são orientados por critérios éticos e pelo compromisso com o bem comum.
No Grupo Marista, acreditamos em uma inovação que tenha as pessoas como ponto de partida e de chegada; e que combine avanços tecnológicos e responsabilidade. Saiba mais a seguir.
Tecnologia que valoriza o que é humano
A Magnifica Humanitas coloca a dignidade da pessoa humana no centro do debate sobre Inteligência Artificial. Segundo João Luís Fedel Gonçalves, Especialista em Identidade, Missão e Vocação da Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), “a encíclica afirma que o desenvolvimento científico e tecnológico, especialmente em se tratando da Inteligência Artificial, somente é autenticamente humano quando permanece a serviço da pessoa e do bem comum”.

Na encíclica, Leão XIV afirma que, diante da transformação tecnológica, é necessário um discernimento compartilhado sobre os caminhos que queremos construir. O desafio, portanto, é refletir sobre a sociedade que queremos formar a partir das novas tecnologias.
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“Diante do avanço acelerado da Inteligência Artificial, não basta discutirmos o que as máquinas serão capazes de fazer. Precisamos refletir sobre o tipo de sociedade que desejamos construir e sobre os valores que devem orientar esse caminho”, afirma Ir. Vanderlei Siqueira, presidente do Grupo Marista e Superior Provincial da PMBCS.
Para Silvio Mendonça, diretor de Tecnologia e Transformação Digital do Grupo Marista, a encíclica propõe contestar o uso da IA em nossa sociedade. “Não se trata mais de discutir se a IA é boa ou ruim, mas de exigir que exista sempre alguém responsável por avaliar, contestar e corrigir o que ela responde. Sem esse freio, corremos o risco de que as instituições deixem de responder pelo que fazem.”
Educação diante de novos desafios
Um dos aspectos abordados pelo Pontífice, e também ressaltado na Masterclass Magnifica Humanitas: Por que esta Encíclica é para todos?, do Farol 1817, é a educação em tempos de Inteligência Artificial, tema que dialoga diretamente com a missão Marista.
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“Para nós, Maristas, e todos aqueles e aquelas que trabalham no âmbito da educação, esse documento nos chama a repensar o papel da educação, das escolas, das universidades, na formação e defesa dos direitos das crianças e jovens frente aos desafios impostos por essa transformação digital”, ressalta Angelo Ricordi, Especialista em Identidade, Missão e Vocação da Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), durante a Masterclass.
Você pode assistir à Masterclass completa neste link.
Inovação com propósito
No Grupo Marista, a tecnologia é entendida como uma possibilidade para aprimorar processos, ampliar capacidades e construir novas respostas para os desafios da sociedade, sempre considerando as pessoas que estão no centro dessas transformações.
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A estratégia de inovação da instituição está estruturada em seis eixos: governança de IA, governança de dados, parcerias com big techs, recursos dedicados, AI-first e capacitação e letramento. A proposta parte do entendimento de que inovar exige estratégia, responsabilidade e desenvolvimento das pessoas.
“Essa perspectiva foi construída em sintonia com a encíclica do Papa Leão XIV. Para o futuro, queremos ver a inteligência artificial cada vez mais integrada ao cotidiano, melhorando processos de maneira ética e confiável. E também queremos que cada Frente de Missão do Grupo Marista esteja mais empoderada para criar suas próprias inovações”, comenta Maurício Zanforlin, CEO do Grupo Marista.
Soluções que geram impacto para as pessoas
Entre as iniciativas que demonstram como a inovação pode gerar impactos diretos na sociedade está uma solução desenvolvida para o Complexo de Saúde. A iniciativa foi destacada pelo Prêmio AI Best 2026 entre dez soluções de relevância nacional pelo uso da Inteligência Artificial na resolução de desafios empresariais.

A solução utiliza IA para analisar registros da UTI e identificar inconsistências que poderiam resultar em glosas — situações em que uma operadora de saúde não autoriza o pagamento de determinado procedimento.
Além de contribuir para uma gestão mais eficiente, a tecnologia ajudou a reduzir retrabalho, padronizar registros e fortalecer a comunicação entre as equipes, o que demonstra como o uso responsável da tecnologia pode gerar resultados para as pessoas e para a organização.
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Outro exemplo nos hospitais Universitários Cajuru e São Marcelino Champagnat é a plataforma de Jornada do Paciente. Desenvolvida internamente, ela permite que pacientes e familiares acompanhem, em tempo real, diferentes etapas da jornada assistencial, incluindo informações sobre procedimentos e tempos de espera. Cerca de 8 mil pessoas utilizam a solução mensalmente.
Responsabilidade e construção do bem comum
A tecnologia continuará abrindo novas possibilidades e trazendo novos desafios. Neste sentido, o Grupo Marista busca avançar sem perder de vista aquilo que orienta sua atuação: o cuidado com as pessoas, a responsabilidade nas escolhas e a construção do bem comum.
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Queremos contribuir para a construção do futuro: com inovação, propósito e a humanidade no centro das decisões.